Espirros em sequência logo ao acordar. Nariz entupido que não desentope. Coceira nos olhos, no nariz, na garganta. Para muita gente, a primavera chega junto com uma rotina conhecida: tomar o antialérgico, melhorar por alguns dias e ver tudo voltar.
E aí vem a frase que quase todo mundo já disse ou ouviu: “é só alergia, já estou acostumado”.
Só que “só alergia” costuma significar noites mal dormidas, cansaço durante o dia, dificuldade de concentração, crises repetidas de sinusite e, em crianças, ronco, respiração pela boca e queda no rendimento escolar.
Este artigo explica por que os sintomas alérgicos costumam piorar na primavera, como diferenciar alergia de resfriado, o que muda quando a causa é investigada e quando procurar um alergista ou um otorrinolaringologista.
Por que a alergia piora na primavera
A primavera concentra alguns fatores que favorecem as crises em quem já tem predisposição alérgica:
- Polinização: árvores, gramíneas e plantas liberam pólen no ar em maior quantidade. No Sul do Brasil, a alergia a pólen de gramíneas é mais frequente do que em outras regiões do país.
- Oscilação de temperatura: dias quentes e noites frias, típicos da estação em Santa Catarina, irritam a mucosa nasal e favorecem a inflamação.
- Umidade e mofo: a combinação de chuva e calor favorece a proliferação de fungos em ambientes fechados.
- Ácaros: continuam presentes o ano todo, especialmente em colchões, travesseiros, cortinas e tapetes. Muitas vezes, o que a pessoa chama de “alergia de primavera” é, na verdade, alergia a ácaros que se intensifica com a mudança de estação.
Esse último ponto é importante: nem toda crise que aparece na primavera é causada pela primavera. Descobrir o gatilho real é o que muda a forma de tratar.

Alergia ou resfriado? Como diferenciar
Os sintomas se parecem, e a confusão é comum. Alguns sinais ajudam a diferenciar:
| Rinite alérgica | Resfriado | |
| Duração | Semanas ou meses, enquanto houver exposição ao gatilho | Geralmente de 7 a 10 dias |
| Coceira (nariz, olhos, garganta) | Muito comum | Pouco comum |
| Secreção nasal | Clara e líquida | Pode ficar espessa e amarelada |
| Febre | Não | Pode ocorrer |
| Espirros | Em sequência, várias vezes ao dia | Ocasionais |
| Padrão | Repete todo ano na mesma época ou em ambientes específicos | Episódio isolado |
Se os sintomas “de resfriado” duram mais de duas semanas, voltam sempre na mesma época ou aparecem em situações específicas (ao acordar, ao limpar a casa, ao ficar perto de animais), vale considerar uma avaliação alergológica.
Controlar os sintomas × investigar a causa
O antialérgico tem um papel importante: alivia os sintomas e permite que a pessoa funcione no dia a dia. O problema é quando ele se torna a única estratégia.
Quem apenas controla os sintomas tende a viver em ciclos: crise, remédio, melhora, nova crise. Isso acontece porque o medicamento age sobre a reação do corpo, mas não sobre o que está provocando essa reação.
Investigar a causa muda a lógica. Quando o alergista identifica a quais substâncias a pessoa é sensível, exemplo: ácaros, pólen, pelos de animais, fungos, é possível:
- Orientar medidas ambientais direcionadas (e não genéricas);
- Ajustar o tratamento medicamentoso com base no perfil do paciente;
- Avaliar se há indicação de imunoterapia (tratamento que busca reduzir gradualmente a sensibilidade do organismo ao alérgeno identificado).
Não se trata de abandonar o antialérgico. Trata-se de deixar de depender exclusivamente dele.
Quando a alergia vira problema de otorrino
A rinite alérgica não fica restrita ao nariz. A inflamação persistente da mucosa nasal pode estar relacionada a:
- Sinusites de repetição: a obstrução dificulta a drenagem dos seios da face;
- Obstrução nasal crônica e respiração pela boca;
- Ronco e sono de má qualidade, inclusive em crianças;
- Sensação de ouvido tampado e otites frequentes, principalmente na infância;
- Alteração do olfato e do paladar;
- Dor de garganta recorrente pelo gotejamento de secreção.
Por isso, alergia e otorrinolaringologia caminham juntas. Muitas vezes o paciente chega ao otorrino por causa de sinusites ou obstrução nasal e descobre que a origem é alérgica, já em outras, é o alergista quem percebe alterações que pedem o olhar do otorrino. Na Otopan, as duas especialidades estão no mesmo lugar, o que encurta esse caminho e permite que a investigação e o tratamento aconteçam de forma integrada, sem que o paciente precise recomeçar a história em cada consultório.
Crianças: sinais que os pais costumam normalizar
Em crianças, a rinite alérgica muitas vezes não é percebida como alergia. Os sinais aparecem de outras formas, as crianças costumam:
- Dormir de boca aberta ou roncar;
- Acordar cansada, mesmo dormindo o número de horas adequado;
- Ter olheiras frequentes e coça o nariz com a mão muitas vezes ao dia;
- Pedir constantemente para as pessoas repetirem o que foi falado e podem parecer desatentas (o que pode estar relacionado a ouvido tampado);
- Ter otites ou sinusites várias vezes ao ano;
- Apresentar dificuldade de concentração na escola;
- Ficar irritadas ou agitadas sem motivo aparente.
Como esses sinais se confundem com comportamento, sono ruim ou “fase”, a alergia pode passar anos sem ser investigada.

Sinais de que vale procurar avaliação
Não é preciso esperar uma crise grave. Considere agendar uma avaliação se você ou alguém da família:
- Usa antialérgico com frequência e os sintomas sempre voltam;
- Tem crises que se repetem todos os anos na mesma época;
- Convive com nariz entupido, espirros ou coceira por mais de duas semanas;
- Tem sinusites, otites ou dores de garganta recorrentes;
- Ronca, dorme mal ou acorda cansado;
- Percebe piora dos sintomas em ambientes específicos (casa, trabalho, escola, perto de animais);
- Já tentou “mudar tudo em casa” e nada resolveu.
Como funciona a investigação da alergia
1. Consulta com o alergista:
O médico avalia o histórico dos sintomas, os ambientes em que a pessoa vive e trabalha, a frequência das crises e o que já foi tentado. Muitas pistas sobre o gatilho aparecem já nessa conversa.
2. Teste alérgico
O teste cutâneo (prick test) é o mais utilizado: pequenas gotas de extratos de alérgenos são aplicadas na pele do antebraço, e a reação é observada em cerca de 15 a 20 minutos. É rápido, pouco invasivo e pode ser realizado em crianças.
3. Avaliação otorrinolaringológica, quando indicada
Se houver sinais de sinusite, obstrução nasal importante, alterações no ouvido ou ronco, o otorrino avalia se há outras causas envolvidas — como desvio de septo, hipertrofia de adenoide ou pólipos.
4. Plano de tratamento
Com o gatilho identificado, o plano pode incluir medidas de controle ambiental, medicação ajustada ao perfil do paciente e, quando indicada, imunoterapia.

Perguntas frequentes
Alergia tem cura?
A predisposição alérgica é uma característica do organismo e não “desaparece”. Mas os sintomas podem ser controlados de forma consistente e, em alguns casos, a imunoterapia reduz significativamente a sensibilidade ao alérgeno, com melhora duradoura. Cada caso precisa ser avaliado individualmente.
Teste alérgico dói?
O teste cutâneo causa apenas um leve desconforto no momento da aplicação, parecido com um arranhão superficial. Se houver reação, a região pode coçar por alguns minutos, mas você estará em um ambiente preparado para isso.
Criança pode fazer teste alérgico?
Sim. O teste cutâneo pode ser realizado em crianças, e a indicação depende da avaliação médica.
Preciso parar o antialérgico antes do teste?
Em geral, porque os anti-histamínicos podem interferir no resultado. O tempo de suspensão é orientado pela clínica no agendamento.
O que é imunoterapia? É a “vacina para alergia”?
Vacina para alergia é um nome popular. A imunoterapia consiste na aplicação de doses controladas e crescentes do alérgeno ao qual a pessoa é sensível, com o objetivo de reduzir a reação do organismo ao longo do tempo. Tem indicação específica, duração prolongada e acompanhamento médico.
Devo procurar o alergista ou o otorrino primeiro?
Se os sintomas principais são espirros, coceira e nariz escorrendo, o alergista costuma ser o ponto de partida. Se há obstrução nasal persistente, sinusites, dor ou sintomas de ouvido, o otorrino pode iniciar a investigação. Na prática, as duas especialidades trabalham de forma complementar e é comum que uma encaminhe para a outra.
Alergista e otorrino em Criciúma, no mesmo lugar
A Otopan conta com médico alergista e otorrinolaringologistas em uma mesma estrutura, o que permite que a investigação das alergias respiratórias aconteça de forma integrada: da consulta inicial aos testes alérgicos, passando pela avaliação das consequências da alergia no nariz, na garganta e nos ouvidos, até o direcionamento do tratamento.
Otopan | Ouvido, Nariz e Garganta
📍 Bairro Pio Corrêa — Criciúma/SC
☎️ (48) 3056-2069 — ligação e WhatsApp
Convive com crises que sempre voltam?
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Atenção: Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. O diagnóstico e o tratamento das alergias devem ser realizados por médico especialista.



