Se ouvir é um gesto de cuidado. E isso vale em dois sentidos: perceber o que o corpo e as emoções sinalizam e, literalmente, ouvir bem o mundo ao redor.
Setembro Amarelo é o mês dedicado à prevenção do suicídio e à valorização da vida. É uma campanha sobre saúde mental, acolhimento e escuta. Mas há um aspecto dessa conversa que costuma passar despercebido: a relação entre audição e bem-estar emocional.
Quem ouve com dificuldade tende a participar menos das conversas, a evitar ambientes sociais e a se sentir isolado. Quem convive com zumbido constante pode ter o sono, a concentração e o humor afetados. E, muitas vezes, esses sinais são normalizados com falas do tipo: “é da idade”, “é cansaço”, “é só estresse”, quando na verdade poderiam ser investigados.
Este artigo explica por que cuidar da audição também é uma forma de cuidar da saúde mental, quais sinais merecem atenção e quando procurar avaliação especializada.
O que significa “se ouvir” na prática
Se ouvir é prestar atenção aos sinais que o próprio corpo e a mente enviam antes que eles se tornem problemas maiores.
Na saúde mental, isso significa reconhecer tristeza persistente, cansaço sem explicação, irritabilidade, perda de interesse pelas coisas e afastamento das pessoas e buscar ajuda profissional.
Na saúde auditiva, significa perceber que você está pedindo para repetir com frequência, aumentando o volume da TV, evitando lugares barulhentos ou convivendo com um zumbido que “já faz parte da rotina”.
Os dois caminhos se cruzam com mais frequência do que se imagina.
A relação entre audição e saúde mental
Perda auditiva e isolamento social
Ouvir é a base da comunicação. Quando a audição diminui, mesmo de forma leve, acompanhar uma conversa exige mais esforço. Com o tempo, muitas pessoas passam a evitar situações sociais: almoços em família, encontros com amigos, reuniões de trabalho.
Esse afastamento gradual tem consequências. Estudos associam a perda auditiva não tratada a maior risco de isolamento social, sintomas depressivos e declínio cognitivo, especialmente em adultos mais velhos.
Não se trata de dizer que perda auditiva causa depressão. Trata-se de reconhecer que ouvir mal afeta a forma como a pessoa se relaciona com o mundo e isso impacta o bem-estar emocional.
Zumbido, ansiedade e sono
O zumbido (ou tinnitus) é a percepção de um som em nosso ouvido, sem que exista uma fonte sonora externa. Ele pode ter diversas causas, desde alterações na audição até fatores relacionados a estresse e sono.
Para quem convive com zumbido constante, o impacto vai além do incômodo: dificuldade para dormir, perda de concentração, irritabilidade e ansiedade são queixas comuns. E existe um ciclo conhecido: o zumbido aumenta a ansiedade, e a ansiedade torna o zumbido mais perceptível.
Investigar a origem do zumbido é o primeiro passo para quebrar esse ciclo.
Crianças: quando ouvir mal afeta o comportamento
Em crianças, dificuldades auditivas nem sempre aparecem como “não escuta”. Podem se manifestar como desatenção, agitação, dificuldade escolar, isolamento ou frustração frequente. Muitas vezes, a criança é interpretada como desinteressada ou indisciplinada quando, na realidade, não está compreendendo bem o que é dito.
Por isso, investigar a audição faz parte do cuidado com o desenvolvimento emocional e social da criança, e não apenas com a fala e a aprendizagem.

Sinais que merecem atenção
Nem todo sinal indica um problema. Mas alguns padrões, quando frequentes, justificam uma avaliação:
Em adultos
- Pedir para repetir com frequência, principalmente em ambientes com ruído;
- Sentir que as pessoas “falam baixo” ou “enrolado”;
- Aumentar o volume da TV, do celular ou do rádio;
- Evitar conversas em grupo ou lugares movimentados;
- Zumbido constante ou recorrente, em um ou nos dois ouvidos;
- Cansaço mental ao final de conversas longas;
- Sensação de ouvido tampado ou pressão frequente.
Em crianças
- Não reagir quando chamada de outro cômodo;
- Pedir para repetir ou responder “o quê?” com frequência;
- Dificuldade para entender o professor;
- Parecer distraída em ambientes barulhentos;
- Atraso na fala ou fala pouco clara;
- Irritabilidade ou isolamento sem causa aparente.
Perceber esses sinais não significa que exista uma perda auditiva. Significa que vale a pena investigar.
Como a audição é avaliada
A investigação começa com a consulta ao otorrinolaringologista, que avalia o histórico do paciente, examina o ouvido e identifica se há causas tratáveis, como excesso de cera, infecções ou alterações na orelha média.
A partir dessa avaliação, podem ser solicitados exames que medem a audição de forma objetiva:
- Audiometria: avalia a capacidade de perceber sons em diferentes frequências e intensidades. Em crianças, é realizada com técnicas adaptadas à idade.
- Avaliação do Processamento Auditivo Central (PAC): indicada quando a pessoa ouve, mas tem dificuldade para compreender, especialmente em ambientes com ruído.
- BERA: avalia o caminho do som do ouvido até o cérebro, sem depender da resposta do paciente. Indicado principalmente para bebês e crianças pequenas.
- Avaliação do zumbido: inclui exames auditivos e, quando necessário, testes específicos para caracterizar o zumbido.
O acompanhamento com fonoaudiólogo pode ser indicado quando há alterações no processamento auditivo, necessidade de reabilitação ou adaptação de aparelhos auditivos.
Perguntas frequentes
Perda auditiva causa depressão?
Não de forma direta. Mas a perda auditiva não tratada está associada a isolamento, dificuldade de comunicação e maior risco de sintomas depressivos. Tratar a audição pode melhorar a qualidade de vida e a participação social.
Zumbido tem cura?
Depende da causa. Em alguns casos, o zumbido melhora ou desaparece com o tratamento da condição de origem. Em outros, o objetivo é reduzir o impacto no dia a dia por meio de acompanhamento e estratégias específicas. Cada caso precisa ser avaliado individualmente.
Estresse e ansiedade podem afetar a audição?
Estresse e ansiedade podem intensificar a percepção do zumbido e a sensação de desconforto auditivo. Também podem estar relacionados a episódios de ouvido tampado ou sensibilidade a sons. Por isso, a avaliação considera o paciente como um todo.
Com que frequência devo avaliar a audição?
Não há uma regra única. Adultos sem queixas podem avaliar periodicamente, principalmente após os 50 anos ou se houver exposição a ruído. Crianças devem ser avaliadas conforme orientação pediátrica e sempre que houver sinais de dificuldade.
Se eu perceber que estou me isolando, devo procurar quem primeiro?
Se o afastamento vem acompanhado de tristeza persistente, desânimo ou pensamentos difíceis, procure um profissional de saúde mental. Se ele está relacionado a dificuldade para ouvir ou acompanhar conversas, procure um otorrinolaringologista. Os dois cuidados podem e muitas vezes devem acontecer juntos.
Setembro Amarelo: um lembrete para cuidar de todas as formas de escuta
A campanha nos convida a ouvir quem está ao redor e a nos ouvir também. Isso inclui reconhecer quando algo não vai bem na mente, nas emoções ou no corpo e buscar ajuda sem esperar que o problema se agrave.
Se você ou alguém próximo está passando por um momento difícil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia, ou pelo site cvv.org.br.
E se a dificuldade está em ouvir, compreender e/ou conviver com um zumbido que não passa, isso também merece atenção.

Avaliação auditiva em Criciúma
A Otopan reúne otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos e estrutura para exames auditivos em um mesmo local, o que permite que a investigação aconteça de forma integrada: da consulta inicial aos exames e ao acompanhamento.
Otopan | Ouvido, Nariz e Garganta
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Percebe esses sinais em você ou em alguém da família?
Fale com a equipe da Otopan no WhatsApp e tire suas dúvidas sobre avaliação auditiva.
Atenção: Este conteúdo tem caráter informativo, procure ajuda. Escutar com atenção também é uma forma de cuidar. Fale o que você sente e escute quem está perto de você. Procurar ajuda é um ato de cuidado.



